Monto cavalos de prata
Monto cavalos de vento

Marília Gonçalves

Katia 3


Diáfana Luz

Leve livre late o tempo
vermelho ou verde vem só
vai no mesmo movimento
cinza dos dias ou pó

Asa azul ou braço solto
toada tua tão perto
a cavalgar como potro…

Desfaz diáfana luz
inverte o tempo de tudo
as frases tornam-se azuis.


                                                      Marília Gonçalves



Cavalgam pequenos potros
sem ânsia de bem ou mal
de tanto correr despertam
o instinto vegetal.
Uma poldra toda branca
na imensidão que é a noite
pariu aceso galope
entre águas, ervas, areias.
Era um voo parecido
com um bibe de criança
erguido em nuvens azuis.

Na floresta adormecida
sobressaltaram-se breves
as folhas que pareciam
pequenas aves que leves
ao menor sopro do vento
mínimo silêncio triste
estremeciam no balanço
de braços mudos e verdes.

Mas em assomo surgido
lesto, inesperadamente
os potros foram partindo
filhos da luz e do vento.



Marília Gonçalves 









 ( O cavalo encantado)
Vitorino Nemésio ( O cavalo encantado)
 
Baio ou pigarço, não me lembro.
Em osso o cavalguei.
Macio como um vinho de Setembro,
O Outono bifurquei.
Nasceu-lhe a margarida numa venta
( Temos sonhos vermelhos).
A brida da saudade o seu ímpeto aguenta.

Eu, fugido sobre ele, levo a Terra nos joelhos