Diáfana Luz
Leve livre late o tempo
vermelho ou verde vem só
vai no mesmo movimento
cinza dos dias ou pó
Asa azul ou braço solto
toada tua tão perto
a cavalgar como potro…
Desfaz diáfana luz
inverte o tempo de tudo
as frases tornam-se azuis.
Marília Gonçalves
Cavalgam pequenos potros
sem ânsia de bem ou mal
de tanto correr despertam
o instinto vegetal.
Uma poldra toda branca
na imensidão que é a noite
pariu aceso galope
entre águas, ervas, areias.
Era um voo parecido
com um bibe de criança
erguido em nuvens azuis.
Na floresta adormecida
sobressaltaram-se breves
as folhas que pareciam
pequenas aves que leves
ao menor sopro do vento
mínimo silêncio triste
estremeciam no balanço
de braços mudos e verdes.
Mas em assomo surgido
lesto, inesperadamente
os potros foram partindo
filhos da luz e do vento.
Marília Gonçalves



